domingo, 25 de outubro de 2009

Limpando a poeira e recolhendo as teias de aranha.

É sempre o extremo que nos inspira.
O ser humano só produz, em geral, ou quando está MUITO triste ou quando está MUITO feliz.

Eu ainda acho que a tristeza dá origem às coisas mais belas. Ideia que a gente adota no segundo ano do ensino médio, quando o professor de literatura começa a te apresentar Álvares de Azevedo e outras meia dúzias de pessoas que passaram um século inteiro choramingando. Eu tenho um pouco disso: me inspiro MUITO quando estou chateada, pêdavida, triste, vazia.

Hoje eu estava lembrando do meu aniversário de dezenove anos. Eu estava em Ibitipoca com um grupo de amigos, tínhamos andado uma dia INTEIRO pra chegar numa cachoeira e quando finalmente chegamos, começou a chover HORRORES. Enquanto todo mundo procurava um lugar pra se esconder, eu - sem perceber - abri os braços e continuei andando devagar, rosto erguido. Isso foi num momento da minha vida em que eu estava começando a conhecer o mundo através de outros olhos; eu estava num lugar lindo, acumulando experiências maravilhosas, conhecendo pessoas e lugares novos... e daí a chuva, munha gente? Quando os pingos de chuva batiam na água cor de coca-cola da cachoeira dos macacos, era uma imagem linda, linda. Perdeu quem estava ocupado demais tentando fugir do carinho céu. Carinho, porque quando a chuva batia em mim, que estava sentindo uma sensação indescritível de liberdade e crescimento, eu sentia como se estivesse sendo acariciada.

Sei lá por que alguém se irritou e gritou: "Porra, Anna, pára com a cena, abaixa esses braços".

E foi aí que eu decidi selecionar mais quem eu vou deixar entrar (e ficar) na minha vida, na minha história. Eu quero pessoas que me deixem abrir os braços na chuva. Porque taí Gene Kelly que não me deixa mentir: A chuva é vida em pequenas doses. Eu quero pessoas que não se importem se alguém escreveu com catchup num bolo de chocolate. Eu quero pessoas que tolerem.

Eu não sei porque você foi dormir amiga e acordou amarga, mas eu não preciso disso. Estava precisando retirar as teias de aranha daqui e ao reler seu e-mail pela décima vez - e finalmente acreditando que eu não me importo com o que foi dito - me inspirei e o fiz. O extremo, eu disse. Peça que salvem um pedaço sem catchup pra você.

E... have a good life.

4 comentários:

Iracema disse...

Que texto lindo, amiga. Que bom que você voltou, fico feliz.

Raquel disse...

"Boa vida"

Eu deixo você abrir os braços. E me bater. Eu deixo, eu permito.

Isabella disse...

Eu também já tive um aniversário assim. Fazia 15 anos, fazia trilha pela chapada imperial e, bom, chovia muito também. Foi um dia ótimo, cujas lembranças estarão sempre guardadas também.
Sempre bom voltar aqui. ;*

Jagodes disse...

abre os teus braaaaaaaaaaaços