quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Eram duas em uma. Agora não mais.

Eu costumo decorar frases de filmes que gosto muito, assim, sem querer. Sabe-se lá porquê...
Fato é que vez ou outra elas caem como uma luva...

(...)
Garota loira, de 13 anos, vestido preto do lado da samambaia....
Garota loira, de 13 anos, vestido preto do lado da samambaia....
(...)

Eram quase 4 da manhã e não havia vestido preto ou samambaia. O cabelo era castanho, um castanho que encobria um arco-íris... Enquanto eu ainda tinha os olhos fechados (porque eu me recusava à abrí-los - como sempre - literal e figurativamente) veio de repente à minha cabeça a voz ainda infantil da Mischa Barton, quando ela diz em "Lost & Delirious":

"Have you ever been really thirsty? And you open a carton of milk, and you pour it in your mouth... and it's... sour? That happened inside of me... forever."

Era isso. Era isso que eu carregava aqui dentro, carregava sem saber e sem precisar. Mesmo crescendo, mudando, me apaixonando, vivendo, amadurecendo, e todos os gerúndios do mundo, tinha algo preso aqui dentro de mim; e tinha gosto de leite azedo.

Eu abri os olhos, olhei ao redor; o relógio fazia seu barulhinho que só se ouve de madrugada, o mundo estava apagado e minha sala acesa, as flores que eu havia esquecido de regar estavam ali e o telefone continuava na minha mão. Foi no momento em que eu soltei o telefone, apaguei a luz da sala e vim pelo corredor em direção à minha cama que eu percebi minha vantagem sobre a Mischa Barton: na minha frase não havia "forever".

Eu ri. Ri de mim, do filme, da metáfora do leite... eu ri. Eu ri! E quando eu ri, eu fiz 20 anos.
Eu vi a menina de 13 anos, com luzes no cabelo e esmalte preto na unha do pé (dessa vez sem samambaia) sorrir pra mim de volta. E acenar, se despedindo, fading away.

Sete anos...

Eu me deitei mais leve, e minha boca (e minha alma) agora tinham gosto de... bala de hortelã. Ou chiclete de melancia, tanto faz.

Aliás, é isso, sabe? Tanto faz.
Mas ela não percebia isso, enquanto insistia em morar nos seus eternos 13 anos.

Agora ela sabe. Agora EU sei.
O David - cara legal - disse rindo, super simpático: - Sorry, wrong number.
Agradeci.

Agradeci e pensei: It's ok.
Pode acreditar, tá tudo bem de verdade. It doesn't matter anymore.
Demorou, demorou muito. Mas eu cresci. Cresci sete anos em dez minutos. Até dormi de barriga pra cima.


Brigada. De verdade. Por tudo. E vai ser feliz!... (:

3 comentários:

Iracema disse...

Será que eu posso dizer que eu entendi? Eu entendi. Você sabe que eu entendi.

Quando você tinha 13 e luzes no cabelo, eu tinha 13 e cabelos enormes, lembra? Eu era gordinha (?) e a gente se divertia horrores na inocência de 13 anos.

As vezes sinto falta. Não dos 13. Da inocência e de você.

Te amo.

Ella... disse...

Impossível negar minha identificação.
E a nostalgia dos meus 13 anos...
bj.

Dual disse...

Olá gironzolavo entre os blogs e aqui estou a saudá-lo em suas férias uma!