segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Num espaço de três minutos - I

Fuma-se um cigarro num espaço de três minutos?

2:57 da manhã.

Ela abriu as cortinas, as venezianas e os vidros da janela. Chovia (como chovia toda noite, há semanas) mas ela não queria sua casa - que era quase um cômodo só - fedendo à cigarro. Pegou a taça de vinho e sentou-se no parapeito. Não era muito alto. Com o cigarro na boca e o isqueiro na mão, pensou. Por 4 ou 5 segundos, pensou. Riu, e acendeu. Soltava a fumaça tentando fazer bolinhas. A chuva molhava a perna que havia ficado pro lado de fora. Ela não se importava. Uma golada, uma tragada, uma loucura. Passaram-se dois minutos e quarenta e três segundos. Parecia tão mais... Olhou para o cigarro - já quase no filtro - e sorriu. Deu a última tragada.

- Aviso! - disse para ninguém, apagando a ponta no parapeito molhado.

E voltou pra cama às 3:00 da manhã naquela madrugada menos vazia.

4 comentários:

Alice D. disse...

droga eu tinha esquecido
como isso aqui é bom,
eu podia passar a noite toda lendo suas coisas

Flora Ramos disse...

Oi! vocé tem razão, a sanidade sim é que é feia. E a loucura sofre muito com isso.. nós, loucos, sofremos mutio com isso.

*adorei no nome do blog, e o blog também! bj

Yoshimi disse...

quero te ver?
vamo se ver?
por favor :(
saudade grande, ana linda...

;*******

Nathália disse...

Por esses dias eu tive a sensação de já ter passado 5 horas e, quando eu ia ver, só tinham passado cinco minutos.

Odeio essa 'flexibilidade' do tempo.
E sinto falta dos meus cigarros...